BRAVOS GUERREIROS
por Matheus Cartaxo


(Rough Riders). 1997. TNT/Affinity Entertainment/Esparza-Katz Productions/Larry Levinson Productions (240 minutos). Produção: Allan Apone, Tom Berenger. Produção executiva: Larry Levinson, William J. MacDonald, Robert Katz, Moctesuma Esparza. Co-produção: Frank Q. Dobbs. Produtores associados: Joe Lunne, Kristine Harlan. Roteiro: John Milius, Hugh Wilson. Fotografia: Anthony B. Richmond (cor). Música: Peter Bernstein. Cenografia: Jerry Wanek (p.d.), John E. Buckling (a.d.), Carla Curry (s.d.). Montagem: Sam Citron. Elenco: Tom Berenger (Theodore Roosevelt), Sam Elliot (Capitão Bucky O’Neil), Gary Busey (General Joe Wheeler), Brad Johnson (Henry Nash), Illeana Douglas (Edith Roosevelt), Chris Noth (Craig Wadsworth), Brian Keith (Presidente William McKinley), George Hamilton (William Randolph Hearst), R. Lee Ermey (secretário de estado John Hay), Nick Chinlund (Frederick Remington), Dale Dye (Coronel Leonard Wood), Holt McCallany (Hamilton Fish), Geoffrey Lewis (Eli), James Parks (William Tiffany), Dakin Matthews (Wadsworth Sr.), Mark Moses (Woodbury Kane), William Katt (Edward Marshall), Francesco Quinn (Rafael Castillo), Adam Storke (Stephen Crane), Titus Welliver (B. F. Goodrich), Diana Jorge (Mademoiselle Adler), Eric Allan Kramer (Henry Bardshar), Angee Hughes (Sara Bardshar), Hunter Bentley (garoto da estação GT), Peter Sherayko (Brodie), Troy Curvey Jr. (Sargento Buck), Randy Stripling (Soldado Buffalo), Willie Dirden (mordomo), Jared Chandler (Capitão Allyn Capron), Rusty Cox (Capitão - equipe de Shafter), Gary Ragland (Capitão de Trincheira), Art Tamez (Castillo Sr.), Patrick Gorman (Coronel, 71º Regimento de Infantaria), Richard Dano (Coronel - equipe de Shafter), Michael Greyeyes (Delchaney), Julie Wilson (senhora Fish), Pablo Espinosa (Frederick Funston), Greg Kutilek (Almirante Hasselhoff), Brady Coleman (General - equipe de Shafter), Marvin F. Schroeder (operador de metralhadora alemão), David B. Schmeck (Capitão Grimes), Robert Strane (Senador Hanna), Lincoln Lageson (Hearst Lackey), Jack Watkins (Harry Hefner), Bob Primeaux (Indian Bob), Carlos Compean (rebelde cubano), Richard Reyes (oficial insurgente), Mark Dalton (garoto no ramal ferroviário), John S. Davies (General Lawton), Lonnie Rodriguez (Capitão Max Luna), Paul Menzel (Major), Brian Brown (homem na estação de trem), Todd Royal (homem), Will Wallace (mensageiro #1), Rutherford Cravens (mensageiro #2), Buck Taylor (George Neville), Billy Driver (homem do Novo México #1), Wally Welch (homem do Novo México #2), Charles Sanders (jornalista), Patrick Gorman (velho oficial confederado), Michael A. Stephens (homem da oposição), Adam Reid (ordenado), James Morsey (Tenente James Parker), Marshall Teague (Tenente Pershing), Stephen Wesley Bridgewater (Sargento Polk), Curtis Akin (Contramestre), John Barnett (“Rough Rider” #1), Pat Falci (“Rough Rider” #2), Tom Williams (Sargento “Rough Rider”), Raliegh Wilson (Sargento de Selaria), Roger Boyce (Major General Shafter), Louis Gusemano (espanhol), Damon Collazo (criado de bordo), Larry Randolph (Coronel Swayles), Darin Heames (Tenente William Wheeler), Tiani Warden (mulher na diligência), Daniel T. Kamin (General Young), Timberlake Lewis (observador britânico), Bob Hess (observador francês), Jake Cavelle (outro insurgente), Whit Edwards (Sargento, 71º Regimento de Infantaria), Jame Myatt (namorada de Fish), Kristi Fleming (namorada de Wadsworth), Ellen F. Locy (namorada de Kane), Richard Nance (vaqueiro), Peter Harrell Jr. (Sargento Buffalo), Debbie Nunez (dama do bordel), Ruben Medina (espanhol), Chase Catton (passageiro da diligência #1), Joaquin Jackson (passageiro da diligência #2), Matt Hawrylak (passageiro da diligência #3), Jack Lilley (atirador da diligência), Rebecca M. Valenzuela (esposa de Eli), Freddie Joe Farnsworth (Sargento Farnsworth), Royce Perkins (corneteiro).

FOCO - Agosto/Setembro 2013

Da prisão, eu trouxe 800 desenhos e 100 roteiros. Eu saí da prisão como outras pessoas saem de Oxford.

Sergei Paradjanov

O anúncio da guerra percorre os vários estratos da sociedade americana e chega à mansão de uma família aristocrática, onde um pai tenta convencer o filho a desistir de ir ao campo de combate. Este lhe responde: “Consegue entender que eu temo mais morrer como um menino rico na sua cama do que nunca saber o que é a fome, o ódio, a dor? Nunca saber o que é a honra ou a coragem? Maldito seja. Eu mereço saber”.

Bravos Guerreiros nos fala do sentimento de onipotência da juventude, da ambição de conquistar o mundo até o ponto onde se percebe que ele não está para brincadeiras. Chegará o momento em que o que se tem a fazer é revirar as fotografias que restaram - como no começo do filme faz um senhor, ex-combatente - e espantar-se: “Meu Deus! Como éramos jovens!”. Uma trama de lembranças começa a se desenrolar.

Assim como a montagem de fotografias dos créditos puxam o novelo da memória, a própria visão de um filme me parece o momento em que os sentimentos que foram comprimidos ao longo da duração do seu material adquirem a sua real dimensão. Astruc escreveu sobre a possibilidade de um espectador ver filmes como quem consulta um arquivo à procura de “críticas literárias, romances, ensaios da matemática, história, variedades”. Para ele, a expressão do pensamento é o problema fundamental do cinema.

Seria possível que víssemos filmes com o intuito de revisitar sentimentos que vivemos, como os de estar apaixonado, ter filhos, visitar o Grand Canyon ou ter oitenta anos? O que é ter dez anos? Serge Daney responderia: O Tesouro do Barba Rubra. O que é sair da casa dos pais rumo ao desconhecido? A resposta poderia ser: Bravos Guerreiros, filme cuja energia é própria do atrito entre o homem e o mundo.

Antes de entregarem-se à batalha, os voluntários passam por treinamentos. Grupo heterogêneo, entre eles há ladrões de diligências, jogadores de polo, índios Sioux (“que mataram o General Custer”), mexicanos e também o general Teddy Roosevelt, responsável pela articulação da guerra a qual se pode dizer que ele inventou para aprender a ser presidente, como há quem saia formado de uma prisão soviética ou de uma grande universidade.

As mudanças pelas quais Roosevelt passa durante o filme são paradigmáticas. No começo, ele é como uma criança excitada por ver de perto um campo de combate, tem um ar ingênuo, manda fazer roupas novas. O filme causa um estranhamento, parece como que “fora do tempo”, e em certa medida pela presença de Roosevelt: nos campos de batalha contemporâneos (isso também serve para a arte) a sua excitação, seu espírito pouco afeito à sobriedade burocrática, seria sem dúvida a primeira das vítimas.

Mais tarde, Roosevelt presenciará a morte de um soldado. A violência desse momento é como um golpe de cinzel na sua alma; faz com que ele silencie e se afaste com os ombros caídos. Milius o filma de costas, vemos as suas mãos indo ao rosto, ouvimos o que parece ser um choro silencioso, contido. Neste épico de formação, Teddy Roosevelt está para Milius como Lincoln esteve para John Ford.

Como no filme de 1939, a aventura se encerra (ou começa) no alto de uma montanha. Ford filmou Henry Fonda trajando a famosa cartola do presidente americano marchando rumo à História após sair de um pequeno vilarejo americano. Milius filma um futuro presidente cercado igualmente pelos homens simples cujos sacrifícios o impulsionaram a crescer. A icônica fotografia tirada nessa cena faz par com a efígie de Lincoln. Depois dela, esses filhos pródigos, enfim, retornam às suas casas, como homens.

 

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