MATAR PARA VIVER, Allan Dwan, 1957
por José Oliveira


É lindo quando em Matar para Viver Anthony Quinn começa a queimar incontáveis notas para salvar a sua amada, sem parar um segundo para pensar noutra alternativa. O filme é um maravilhoso road movie ou pós-western de 1957 que abate sem apelo nem agravo qualquer das coisas terminais que os anos 60, 70 ou princípios dos 80 iriam trazer. Só poderia ser realizado pelo documentarista Allan Dwan, aquele americano primitivo que, e isto sem qualquer tipo de provocação, mais vai fazer pendant com o Frederick Wiseman que começaria a apreender mundo pouco depois de Dwan se reformar. Passa por captar vales, montanhas, magníficos rios ou as esporas de cowboys da maneira como devem ser captadas. Mas também vias lácteas de humanidades, de modos de viver, uma tribo inteira ou só um peculiar olhar, a narrativa da mitologia americana ou um suspiro só, o ritmo e o pulsar do cosmos ou a simples e complexa textura de uma pedra. Registrar de frente, imperturbavelmente, com fita e tesoura, esperando o inesperado, fazendo jus e estando aberto à vida, mas igualmente ordenando ou orientando um pouco as coisas como na cena acima citada. Compromisso e generosidade.

 

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