ÉVARISTE GALOIS, Alexandre Astruc, 1965
por Jacques Vallée


As últimas horas do genial matemático morto num duelo aos 21 anos de idade.

Este é um curta-metragem de 25 minutos, e raramente a matemática foi integrada a um filme com tanto respeito pela disciplina. Um punhado de diálogos só serão inteligíveis para velhos estudantes das “matemáticas especiais”[1] que possuírem boa memória. Mas isso não impedirá o “vulgum pecus” de compreender em que medida as teorias de Galois foram desprezadas pela academia do seu tempo. Astruc opõe o gênio fulgurante de Galois ao espírito medíocre dos politécnicos. Essa oposição é apresentada sem maniqueísmo ultrajante, pois o opositor de Galois exige apenas uma demonstração compreensível de suas teorias, ou seja, o trabalho mínimo nas matemáticas. Galois é apresentado como a figura romântica que era: orgulhoso, intransigente e revolucionário. Ele passa a noite a explicar no papel suas idéias e o duelo na manhã seguinte lhe é fatal. Embelezado por uma música soberba de Antoine Duhamel, a mise en scène é de uma austeridade majestosa. Esteticamente, ela anuncia Crônica de Anna Magdalena Bach de Straub e Huillet. Um belíssimo filme, definitivamente.

Nota:

1. Antigo ramo de classe preparatória que desapareceu após a reforma do ensino superior na França em 1997, informalmente dado a uma parte dos cursos do segundo ano de classe preparatória científica do antigo ramo (n.d.e.).

(originalmente publicado no blog Avis sur des films [em http://films.nonutc.fr/2012/08/24/evariste-galois-alexandre-astruc-1965/], mantido pelo próprio autor. Traduzido por Matheus Cartaxo)

 

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